"Não darei veneno a ninguém, mesmo que mo peça, nem lhe sugerirei essa possibilidade."
(Juramento de Hipócrates)


“Viver é um direito não uma obrigação”
(Ramón Sampedro)

15/03/09

As diferentes ópticas (doente, familiar, médico)

Doente
Esta perspectiva é, talvez, a que suporta mais peso na decisão da prática, ou não, da eutanásia.
Dentro da mesma, podemos depararmo-nos com dois casos distintos e opostos. Por um lado podemos encontrar pacientes que, apesar de todo um sofrimento físico e psicológico, recusam-se a desistir da vida, e lutam dia após dia contra a morte, mesmo que esta seja, cada vez mais, inevitável.
Este grupo de doentes que opta por sobreviver, tenta deixar de lado os momentos de desespero, infelicidade, solidão, aflição e desesperança e agarra-se às alegrias, felicidade e essencialmente à fé.
No bloco antagónico e mais negativista, encontramos as pessoas que se “cansaram de viver”, e que não aguentam mais a dor física, mental e social (entendem que são um fardo para a sociedade). Estes pacientes sentem que a vida já não lhes faz sentido e a única saída que vislumbram neste “beco” é a morte imediata.
Neste ponto, os enfermos devem ser informados do modo de procedimento da eutanásia, tal como, das reacções, sentimentos, riscos e danos que esta comporta. Só assim, os doentes poderão ter uma opinião fundamentada e objectiva sobre se realmente querem a eutanásia.
Familiar
Esta perspectiva insere-se numa cultura e numa sociedade. Estes dois aspectos vão influenciar o modo de como a família “olha” a prática da eutanásia.
Assim, em sociedades como a portuguesa, onde se dá o afastamento da família e onde esta tem cada vez menos valor para a generalidade das pessoas, vai-se verificar uma indiferença por parte dos familiares no facto de um paciente deve ou não receber a eutanásia.
Contudo, e devido ao facto de Portugal ser um país religioso, parte das pessoas seguem o ordenamento de Deus ”Não matarás” e põe assim de lado a prática da eutanásia.
Médico
O dever do médico será cuidar, vigiar, curar, zelar e tratar o paciente em todos os casos em que for necessária uma componente humana efectiva que atenue o sofrimento. Este deve actuar para o bem do enfermo e não para causar mal a alguém.
No entanto, se lhe for implorado um acto que induza a perda ao paciente, este não devem actuar por compaixão, seguindo o juramento de Hipócrates “Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.”
Porém, a actuação dos médicos perante o pedido de eutanásia diverge. Enquanto que alguns consideram que se deve legalizar a eutanásia (um estudo realizado por Ferraz Nunes indica que quase 40% dos médicos oncologistas portugueses defende a legalização da eutanásia, um resultado impressionante já que estes médicos são os que lidam com cancro e doenças terminais), outros defendem a melhoria dos cuidados paliativos e que a eutanásia é inaceitável.

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